Realidade. Talvez seja essa a palavra que mais amedontra os poetas. Se para eles é na insônia que encontram inspiração, para mim, realista por natureza, é durante o despertar do dia que produções imperfeitas passam ao papel. Entre os desvaneios matinais, entram em conflito sonhos da noite anterior e fatos do dia que virá- na mente, um turbilhão de coisas sem sentido.
Crio coragem. Levanto. Exatamente no momento em que meus pés tocam o chão frio, sou atingida por um balde de realismo: meu lirismo permanece na cama. Entretanto, minhas palavras denunciam-me: sou incapaz de escrever longe da sombra do romantismo. Percebo, pois, que não sei ser só realista, como não sei ser apenas poeta.
Então, o que seria eu? Poderia ser um pouco de cada, meio a meio, talvez mais um do que o outro. Mas não! Sou inteiramente ambos. Com a mesma força, com a mesma intensidade, com o mesmo ardor. Jamais negarei o meu realismo. Jamais negarei meu caráter poético. Simplesmente, encarregarei o leitor de definir-me de acordo com o assunto de que trato, da maneira como trato.
Hoje, sou mais romântica que realista, ao contrário do que disse ao início deste rascunho. E se o leitor vê contradição neste fato, acostume-se com ela. Não hesitarei em mudar de opinião no decorrer de minhas postagens. Escreverei de acordo com aquilo que acredito no momento em que tomar o papel e caneta em mãos. Isto, todavia, não faz de minhas palavras mais verdadeiras, muito menos mentirosas. São apenas palavras, jogadas aqui para que aquele que lê julgue-as como desejar.
Por fim, retomo a ideia de meu colega, Anil agripnico: sou a metamorfose pura, em seu integral significado; um alguém diferente a cada composição. E para os incapazes de compreender-me, recomendo os demais colaboradores desta página- provavelmente, melhores que eu e mais compreensíveis.
"Agora, meus amigos, é preciso nos consolarmos com isto: que a minha realidade não é mais verdadeira que a sua, e que tanto a minha quanto a sua duram só um momento”. PIRANDELLO, Luigi. 'Um, nennhum e cem mil'.
Este blog tem como principal finalidade oferecer aos leitores uma visão abrangente de diversas áreas do conhecimento e contribuir para um aprendizado interdisciplinar. O título cumpre sua função ao representar uma inquietação na busca pelo saber. Por hora, não somos especialistas nos assuntos que iremos abordar, mas nosso objetivo é compartilhar informações e promover discussões acerca do que é importante para todas as pessoas. Aprenda e divirta-se!
Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.
A contradição é o cerne da vida, já dizia Marx! Lindo texto, principalmente, muito bem escrito.
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