Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Uma Lição de Discriminação

Para refletir... 42min36 que valem a pena ser assistidos. Não vou dar spoilers aqui, mas, caso interesse, leia a descrição do vídeo :)


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pode a nanotecnologia criar a utopia?

Durante a História da humanidade tentou-se criar a utopia, a sociedade perfeita. De fato, os EUA, o sonho americano, de certa forma, foi baseado no utopismo. Por que tivemos o movimento dos Shakers (séc. XVIII)? Por que tivemos os Quakers (séc. XVII)? Por que tivemos movimentos religiosos de tantos tipos que saíram da Europa para criar a utopia nas Américas? Bom, sabemos que os Shakers desapareceram e muitas dessas colônias também desapareceram, sendo encontradas apenas em notas de rodapé em livros de ensino americanos e a pergunta é “por que...?”.


Uma razão para escassez é porque, lá atrás, a revolução industrial era ainda jovem e as sociedades tinham escassez. A escassez cria conflito e, a não ser que se tenha um meio de resolvê-lo, sua colônia desmorona. Como alocar recursos? Quem tem acesso ao alimento quando há fome? Quem recebe abrigo quando há uma tempestade de neve e, de repente, todos os grãos foram comidos? Essas são questões que os primeiros colonizadores americanos enfrentaram e a razão pela qual vemos apenas as cidades fantasmas dessas utopias.

Contudo, agora temos nanotecnologia, e com ela, talvez, quem sabe, em 100 anos, teremos algo chamado de replicador. No momento, o replicador é algo que se vê em Star Trek. É chamado de montador molecular e pega materiais brutos comuns, quebra-os em nível atômico e junta as peças de formas diferentes para criar novas substâncias. Se você tiver um montador molecular, você pode transformar, por exemplo, um copo de vidro em madeira ou vice-versa. Você teria o poder de um mago, na verdade, o poder de um deus, a habilidade de literalmente transformar os átomos de uma substância em outra e vemos isso em Star Trek.

Esse é também o dispositivo mais subversivo de todos, porque, se utopias falham por causa de escassez, então o que acontece quando temos abundância infinita? O que acontece quando você simplesmente pede e lhe é dado? Um dos meus episódios favoritos de Star Trek é quando a Enterprise encontra uma cápsula espacial deixada no século 20, o desagradável século 20. As pessoas estavam morrendo de doenças horríveis e muitas se congelaram sabendo que no século 23 mais ou menos elas seriam descongeladas e suas doenças curadas. Bom, com certeza, agora já é o século 23. A Enterprise encontra a cápsula espacial e começa a reviver todas essas pessoas e curá-las de câncer, curar de doenças genéticas incuráveis, e então um desses indivíduos era um banqueiro. Ele é despertado e diz a si mesmo “Meu Deus, minhas apostas funcionaram; estou vivo; estou no século 23” e disse “Ligue pro meu corretor; ligue pro meu banqueiro; estou rico; estou rico; meus investimentos, eles ficaram lá no banco por séculos; devo estar quadrilhonário!”. E então a tripulação da Enterprise olha para o homem e diz “O que é dinheiro; o que é um banco; o que é um corretor? Não temos nada disso no século 23” e dizem “se quiser alguma coisa, simplesmente peça por ela e você a terá”. 

Agora é subversivo. É revolucionário, porque, se todas as sociedades utópicas desapareceram por causa de escassez e conflito, o que acontece quando não há escassez? O que acontece quando você simplesmente pede e ganha o que quer? Isso tem implicações filosóficas gigantescas. Por exemplo, por que se incomodar em trabalhar? Por que se importar em ir trabalhar quando você simplesmente pede pelas coisas e elas vêm a você? 

No momento, alguns sociólogos pensam que se as drogas, por exemplo, forem totalmente legalizadas, absolutamente legalizadas, então talvez entre 3% e 5% da raça humana se tornarão permanentemente viciados em drogas. Esse é o preço por uma legalização total das drogas. Não sei, mas é o número que dizem por aí. O que acontece quando temos essa sociedade baseada em replicadores? Então teremos entre 3% e 5% da raça humana transformados em parasitas permanentes? É uma possibilidade. Toda a natureza da psique humana é baseada em torno de produzir coisas, fazer algo, dar uma contribuição. O que acontece quando não é mais necessário fazer isso? O que acontece quando há abundância infinita? O que acontece se há uma utopia? 

Os opositores dirão “Bah-humbug! Não existe replicador; isso viola as leis da física”. Bom, isso não é verdade. Realmente existe um nano-robô que pode replicar, realmente separar moléculas e rearranjá-las de formas fantásticas. A Natureza já o criou. É chamado de ribossomo. O ribossomo pode pegar hambúrgueres, milk-shakes e transformá-los em um bebê em nove meses. É um milagre! O ribossomo pega hambúrgueres, batatas fritas, salgadinhos, quebra as moléculas e as remonta em DNA. A Natureza já criou o replicador. Ele replica seres humanos, mas o que acontece quando os seres humanos criarem replicadores que podem replicar tudo? Esse é uma ideia subversiva...

Texto retirado (e traduzido) de:
Michio Kaku: Can Nanotecnology Criate Utopia?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Quebra-cabeça


          A vida é como um quebra-cabeça interminável. A cada dia ela vai criando forma, se moldando, uma peça daqui e dali e vamos construindo aos poucos aquilo que acreditamos. Nem sempre conseguimos aquela peça que faz falta e a procuramos incansavelmente, mas ela não aparece. Tudo tem seu tempo. Toda conquista tem seu caminho e por isso precisamos muitas vezes pensar no percurso, em tudo aquilo que nos transforma e nos leva a aprender mais, independentemente do objetivo final - que na maioria das vezes chega a ser irrelevante se os meios não foram dignos.
          É preciso também fazer uma auto-crítica constantemente, porque pode ser que, por algum motivo, as peças não tenham se encaixado perfeitamente. Às vezes a gente quer tanto que as coisas deem certo que deixamos aquela peça que não se encaixa, ou porque estamos cansados de procurar e fazer o certo, ou porque não queremos ver e aceitar a verdade. Só que depois descobrimos que não vale a pena e que não importa o quanto você tente consertar, tem que ser a peça certa e muitas vezes é preciso desfazer e construir tudo novamente.
          Na vida, nós não sabemos qual vai ser a figura final e não podemos começar pelas bordas, porque não nascemos prontos. E desse ponto de vista, começar pelas bordas seria não fazer nada além, seria tornar a vida pequena. Nós precisamos transbordar e nos tornar importantes, sem esquecer o verdadeiro significado dessas palavras.
          E por onde começamos? Cada um tem que descobrir qual a melhor forma de ir se fazendo, sem esquecer que tudo o que nos torna melhores tem que partir de nós mesmos. Porque nenhuma outra pessoa conhece as suas peças tão bem quanto você e poucas querem realmente colocá-las no lugar certo.
          Que cada ano novo, cada dia novo, cada peça nova, nos torne melhores do que somos.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Tente entender


“O preço que se paga às vezes é alto demais”. Você acredita. Você acha que as pessoas merecem a sua confiança, porque simplesmente não consegue enxergar o que o coração não sente. Porque para você, os laços são formados por respeito, abnegação e lealdade. Não. Você sabe que não deve ser tão ingênuo, mas... De repente tudo se mostra a seus olhos e mais uma vez você tem que recomeçar. Como as árvores, que perdem as suas folhas para suportar o inverno, mas na primavera renascem deixando as folhas que caíram no passado e buscando a vida com a chegada do Sol.
“Deixa o Sol bater na cara, esqueço tudo o que me faz mal”. Porque desistir não é a melhor opção. Aqueles que um dia te decepcionaram não se importam com o que fizeram, não estão preocupados com quem magoaram, seria qualquer um que estivesse à sua frente. Por isso devemos conservar a mesma indiferença, mas sem rancor, para estar em paz e aberto àqueles de coração puro. “Eu sei, não é sempre que a gente encontra alguém que faça bem, que nos leve desse temporal”.
Nesse mundo de “riquezas aparentes e misérias reais” (frase do grande mestre Mario Sergio Cortella), você está dando valor ao que é efêmero e transitoriamente concreto? Apenas com a ordenação do pensamento é que podemos fazer com que a nossa existência não seja ignorada, que o nosso mundo seja um bom lugar para essa passagem e capaz de acolher aqueles que merecem, aqueles que só o tempo dirá serem dignos.
“Tente entender a minha alegria, a sombra mostrou o que a luz escondia”.  Porque precisamos daqueles que nos fazem cair. Porque a vida é um aprendizado contínuo, mais paciência e menos egoísmo. Desapego. Assim podemos descobrir que “o amor é maior que tudo, do que todos...”.




* As citações foram retiradas das músicas de Engenheiros do Hawaii e Pouca Vogal. Exceto a que foi retirada do livro " Não espere pelo epitáfio..." de Mario Sergio Cortella, como indicado no texto.

sábado, 1 de outubro de 2011

Além do que se possa explicar

Somos um entre três milhões de espécies catalogadas que vivem no pequeno planeta Terra, que gira em torno da estrela anã chamada Sol, uma das 100 bilhões de estrelas que compõem a Via Láctea – uma galáxia entre 200 bilhões de galáxias que existem neste universo não singular e que está para desaparecer. Será sobre as crenças do catastrófico 2012 a que eu me refiro? Não, não é para falar sobre o final do mundo e sim para refletir o que cada um de nós está fazendo para contribuir com o caos. Assim como as estrelas perdem seu brilho e perecem a todo momento, não me espanta pensar que algum dia o “nosso” planetinha deixe de existir e com ele cada um de nós. É prepotência demais achar que nossa ínfima existência será considerada. É um mistério toda essa vida.
Mudando para uma lente de maior aumento e focalizando somente a terra... Como estamos lidando com esse mistério? A cada dia encontramos pessoas tristes, desamparadas, orgulhosas, egoístas, arrogantes. Qual a explicação para atitudes grosseiras, discórdia sem fundamento, mau humor? Deus - se é que nos criastes como exceção dentre inúmeros universos - explique a razão de tanto desamor. Porque conhecendo pessoas altruístas, de bom coração e felizes, é incompreensível que nem todos vivam dessa maneira. Aliás, incompreensíveis também são as estrelas que mesmo depois que morrem brilham para nós. Será mesmo para nós? Deve ser apenas o destino delas, ou são reações químicas e físicas aliadas à distância em anos-luz que propiciam esse fenômeno.
Tudo deve ter uma explicação, mas somos pouco demais para descobrir, ou mesmo estamos nos preocupando apenas com coisas fúteis e esquecendo o verdadeiro significado de  viver entre 200 bilhões de galáxias. Pior, deixamos de evoluir como pessoas para desenvolver as questões financeiras e de consumo. O que torna tudo mais incompreensível, menos real apesar de palpável. Que nosso destino seja reacender a vida nas estrelas que estão prestes a apagar, direcionar nossas atitudes visando à benevolência, à abnegação e sobretudo à felicidade. E mais importante, nunca esquecer que somos um...


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sintaxe à Vontade

Em co-autoria com o gauche, Pedro Alvim

Parágrafo único onipotente, onipresente e impassível de alteração: Tenho sérios problemas em escrever qualquer frase que seja coerente, semântica e literalmente com a Língua Portuguesa. Considerada demasiado viajante para regras tão estáticas e imóveis e demasiado mutante para escrever textos imutáveis.Sou complexamente simples, e simplesmente complexa.Paradoxal e visceral.Minha mente é tão intrincada quanto o maior dos mistérios, e tão simples quanto a menor das palavras, sem alternativas para o impasse do tempo que exige estática, que exige definição.Porque o tempo não se define, não começa nem termina.Ele passa, e passando transforma... recaindo em si mesmo ou em nada.Em um nada, mas que diz tudo.



Sintaxe a vontade O Teatro Mágico
Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro magico.

A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.

Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Perspectiva

Vida. O que carrega, pois, esta palavra, tão indefinível e tão distante, mas ao mesmo tempo, tão próxima, tão real, tão VIVA? O que é viver? Reunir uma inconstância de sentimentos, momentos e divagações que pouco fazem sentido?

É engraçado que só venhamos a pensar na importância da vida, geralmente, quando ela nos “prega uma peça”. Sinto-me, agora, como se ela fosse aquela figura de capuz preto carregando um machado, prontinha, prontinha para tirar, lentamente, a minha vontade dela mesma. E morte e vida se confundem, a partir do momento em que meu corpo e, sobretudo, coração, já não mais reconhece o que os difere. É como se apenas existisse, nesse momento, vida na morte e morte na vida.

Pode parecer dramático demais, meio baynorismo demais para o séc XXI, mas não se pararmos pra pensar que tudo o que se passa nesse mundo, o qual - ignoro até que ponto - chamamos de real, só existe em oposição a algo. O que seria da tristeza, sem a alegria? Do ódio, sem o amor? Da fome, sem a fartura? Da surpresa, sem a frustração, por exemplo? Nada. Absolutamente, nada. E o oposto, também se faz verdadeiro. É tudo questão de perspectiva e nada além disso.

O conceito de perspectiva é originário, como se sabe, da pintura, a qual pressupõe a exposição do ângulo de visão do artista. Ela torna-se, assim, a arte de representar objetos sobre determinado plano, tais como eles apresentam-se à vista. Já na literatura, ela assume um papel ainda maior, deixando de ser apenas o lugar de onde se vê, para representar, também, a maneira como se vê. Partindo deste conceito, é através dela que interpretamos qualquer existência, da mesma forma como um narrador interpreta sua história antes de conta-la. Nós interpretamos a vida, antes mesmo de conhecê-la, antes de sabermos defini-la.

Assim, a verdade torna-se amplamente relativa, tal como a vida e a forma de encará-la. Se encararmos, como foi dito acima, que sentimentos só existem em contraposição a outro, talvez paremos de enxergar a tristeza, o ódio, a raiva, a angústia e, até mesmo, a morte, como coisas ruins. São apenas estados de espírito, passageiros, mas que são capazes de nos fazer, de fato, dar valor aquilo que realmente nos faz bem, como viver.

“É preciso afastar-se para uma quietude qualquer, e talvez os mortos sejam esses que se retiram para refletir sobre a vida”, (Rilke, Rainer Maria. A canção da justiça)