Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Devaneio noturno

O ano de vestibular chegou. A escola, que para alguns era apenas lugar de encontrar os amigos, agora é ferramenta para o ingresso na universidade. Um pensamento comum e que todo ano se repete. Entretanto, depois de concluído o melhor ano na escola. O peso da saudade e, até mesmo, o arrependimento fazem parte dos novos universitários, que se angustiam em estudos, novas pessoas e esquecem que vivem.

O primeiro dia de aula na Universidade pode parecer com o primeiro dia da escola, todavia a maturidade e as responsabilidades são distintas. Quando crianças, a vida nada mais é que uma gincana, que dura o dia inteiro, e o descanso na parte da noite. Não se fica inseguro em não conhecer ninguém, como na adolescência. Na realidade, o interessante era conhecer novos participantes nos jogos, uma ingenuidade que de um dia para outro se esvai como num passe de mágica.

A partir desse dia, a vida começa a ter um viés diferenciado. As pessoas não são interessantes apenas para rir, mas para se aglomerar em uma rede de contatos, que, possivelmente, serão necessários no futuro. Não que isso seja ruim, entretanto a busca, unicamente, por interesses, acaba por dizimar a personalidade. Além de cercear as pessoas, com pensamentos incompletos e, muitas vezes, deturpados.

Nesse cerceamento, cada vez mais latente, a busca pelo excessivo correto, outra corrente de grupo antagônico ao supracitado também se manifesta. Infelizmente, o radicalismo desmedido cria laços emotivos, familiares e relacionais tão dependentes, quase sufocantes, dos participantes. Não existe o coletivo, sem o individual. Esta é a frase que deve servir de guia.

Basta conhecer pessoas no primeiro dia da universidade para sentir esta confusão de interesses. Assim, uns conversam, puramente, pelo networking, sem se importar com o espaço do outro – como outros, dizem morrer de amores e afinidades, também interferindo no espaço e na mente do interlocutor.

Leitor, ninguém disse que a vida seria fácil. Acredito na dificuldade. Tenho fé que ela faz o papel de medidor de tudo que queremos, desejamos, possuímos e desistimos. O ano do vestibular, não pode ser encarado com desdém, muito menos, excessivamente, dedicado. Da mesma forma que os anos da faculdade não podem ser guiados de forma imatura. O universo da universidade é o melhor ponto de reflexão de atitudes e ponto de convergência para não encontrar apenas respostas, mas cria-las. O certo e o errado são concomitantes, sinônimos e não necessariamente são as únicas vias. Não pense em ser o melhor, mas o melhor para você e com você.

Ah, preposições! As preposições fazem todo o diferencial na vida. Elas são as pontes e, assim, como na vida, devemos passar por ciclos sobre pontes. Metaforicamente, use suas pontes. Seja você! Não pense em si próprio a todo instante, nem no outro, insistentemente. Pense na sua parte dentro do todo. Pense no nós!


 E assim, a madrugada passa, os devaneios surgem e desaparecem, e a insônia dá lugar ao sono, satisfeito.





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