Este blog tem como principal finalidade oferecer aos leitores uma visão abrangente de diversas áreas do conhecimento e contribuir para um aprendizado interdisciplinar. O título cumpre sua função ao representar uma inquietação na busca pelo saber. Por hora, não somos especialistas nos assuntos que iremos abordar, mas nosso objetivo é compartilhar informações e promover discussões acerca do que é importante para todas as pessoas. Aprenda e divirta-se!
Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Sintaxe à Vontade
Parágrafo único onipotente, onipresente e impassível de alteração: Tenho sérios problemas em escrever qualquer frase que seja coerente, semântica e literalmente com a Língua Portuguesa. Considerada demasiado viajante para regras tão estáticas e imóveis e demasiado mutante para escrever textos imutáveis.Sou complexamente simples, e simplesmente complexa.Paradoxal e visceral.Minha mente é tão intrincada quanto o maior dos mistérios, e tão simples quanto a menor das palavras, sem alternativas para o impasse do tempo que exige estática, que exige definição.Porque o tempo não se define, não começa nem termina.Ele passa, e passando transforma... recaindo em si mesmo ou em nada.Em um nada, mas que diz tudo.
Sintaxe a vontade O Teatro Mágico
Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro magico.
A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.
Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Perspectiva
Vida. O que carrega, pois, esta palavra, tão indefinível e tão distante, mas ao mesmo tempo, tão próxima, tão real, tão VIVA? O que é viver? Reunir uma inconstância de sentimentos, momentos e divagações que pouco fazem sentido?
É engraçado que só venhamos a pensar na importância da vida, geralmente, quando ela nos “prega uma peça”. Sinto-me, agora, como se ela fosse aquela figura de capuz preto carregando um machado, prontinha, prontinha para tirar, lentamente, a minha vontade dela mesma. E morte e vida se confundem, a partir do momento em que meu corpo e, sobretudo, coração, já não mais reconhece o que os difere. É como se apenas existisse, nesse momento, vida na morte e morte na vida.
Pode parecer dramático demais, meio baynorismo demais para o séc XXI, mas não se pararmos pra pensar que tudo o que se passa nesse mundo, o qual - ignoro até que ponto - chamamos de real, só existe em oposição a algo. O que seria da tristeza, sem a alegria? Do ódio, sem o amor? Da fome, sem a fartura? Da surpresa, sem a frustração, por exemplo? Nada. Absolutamente, nada. E o oposto, também se faz verdadeiro. É tudo questão de perspectiva e nada além disso.
O conceito de perspectiva é originário, como se sabe, da pintura, a qual pressupõe a exposição do ângulo de visão do artista. Ela torna-se, assim, a arte de representar objetos sobre determinado plano, tais como eles apresentam-se à vista. Já na literatura, ela assume um papel ainda maior, deixando de ser apenas o lugar de onde se vê, para representar, também, a maneira como se vê. Partindo deste conceito, é através dela que interpretamos qualquer existência, da mesma forma como um narrador interpreta sua história antes de conta-la. Nós interpretamos a vida, antes mesmo de conhecê-la, antes de sabermos defini-la.
Assim, a verdade torna-se amplamente relativa, tal como a vida e a forma de encará-la. Se encararmos, como foi dito acima, que sentimentos só existem em contraposição a outro, talvez paremos de enxergar a tristeza, o ódio, a raiva, a angústia e, até mesmo, a morte, como coisas ruins. São apenas estados de espírito, passageiros, mas que são capazes de nos fazer, de fato, dar valor aquilo que realmente nos faz bem, como viver.
“É preciso afastar-se para uma quietude qualquer, e talvez os mortos sejam esses que se retiram para refletir sobre a vida”, (Rilke, Rainer Maria. A canção da justiça)