Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tente entender


“O preço que se paga às vezes é alto demais”. Você acredita. Você acha que as pessoas merecem a sua confiança, porque simplesmente não consegue enxergar o que o coração não sente. Porque para você, os laços são formados por respeito, abnegação e lealdade. Não. Você sabe que não deve ser tão ingênuo, mas... De repente tudo se mostra a seus olhos e mais uma vez você tem que recomeçar. Como as árvores, que perdem as suas folhas para suportar o inverno, mas na primavera renascem deixando as folhas que caíram no passado e buscando a vida com a chegada do Sol.
“Deixa o Sol bater na cara, esqueço tudo o que me faz mal”. Porque desistir não é a melhor opção. Aqueles que um dia te decepcionaram não se importam com o que fizeram, não estão preocupados com quem magoaram, seria qualquer um que estivesse à sua frente. Por isso devemos conservar a mesma indiferença, mas sem rancor, para estar em paz e aberto àqueles de coração puro. “Eu sei, não é sempre que a gente encontra alguém que faça bem, que nos leve desse temporal”.
Nesse mundo de “riquezas aparentes e misérias reais” (frase do grande mestre Mario Sergio Cortella), você está dando valor ao que é efêmero e transitoriamente concreto? Apenas com a ordenação do pensamento é que podemos fazer com que a nossa existência não seja ignorada, que o nosso mundo seja um bom lugar para essa passagem e capaz de acolher aqueles que merecem, aqueles que só o tempo dirá serem dignos.
“Tente entender a minha alegria, a sombra mostrou o que a luz escondia”.  Porque precisamos daqueles que nos fazem cair. Porque a vida é um aprendizado contínuo, mais paciência e menos egoísmo. Desapego. Assim podemos descobrir que “o amor é maior que tudo, do que todos...”.




* As citações foram retiradas das músicas de Engenheiros do Hawaii e Pouca Vogal. Exceto a que foi retirada do livro " Não espere pelo epitáfio..." de Mario Sergio Cortella, como indicado no texto.

sábado, 1 de outubro de 2011

Além do que se possa explicar

Somos um entre três milhões de espécies catalogadas que vivem no pequeno planeta Terra, que gira em torno da estrela anã chamada Sol, uma das 100 bilhões de estrelas que compõem a Via Láctea – uma galáxia entre 200 bilhões de galáxias que existem neste universo não singular e que está para desaparecer. Será sobre as crenças do catastrófico 2012 a que eu me refiro? Não, não é para falar sobre o final do mundo e sim para refletir o que cada um de nós está fazendo para contribuir com o caos. Assim como as estrelas perdem seu brilho e perecem a todo momento, não me espanta pensar que algum dia o “nosso” planetinha deixe de existir e com ele cada um de nós. É prepotência demais achar que nossa ínfima existência será considerada. É um mistério toda essa vida.
Mudando para uma lente de maior aumento e focalizando somente a terra... Como estamos lidando com esse mistério? A cada dia encontramos pessoas tristes, desamparadas, orgulhosas, egoístas, arrogantes. Qual a explicação para atitudes grosseiras, discórdia sem fundamento, mau humor? Deus - se é que nos criastes como exceção dentre inúmeros universos - explique a razão de tanto desamor. Porque conhecendo pessoas altruístas, de bom coração e felizes, é incompreensível que nem todos vivam dessa maneira. Aliás, incompreensíveis também são as estrelas que mesmo depois que morrem brilham para nós. Será mesmo para nós? Deve ser apenas o destino delas, ou são reações químicas e físicas aliadas à distância em anos-luz que propiciam esse fenômeno.
Tudo deve ter uma explicação, mas somos pouco demais para descobrir, ou mesmo estamos nos preocupando apenas com coisas fúteis e esquecendo o verdadeiro significado de  viver entre 200 bilhões de galáxias. Pior, deixamos de evoluir como pessoas para desenvolver as questões financeiras e de consumo. O que torna tudo mais incompreensível, menos real apesar de palpável. Que nosso destino seja reacender a vida nas estrelas que estão prestes a apagar, direcionar nossas atitudes visando à benevolência, à abnegação e sobretudo à felicidade. E mais importante, nunca esquecer que somos um...


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sintaxe à Vontade

Em co-autoria com o gauche, Pedro Alvim

Parágrafo único onipotente, onipresente e impassível de alteração: Tenho sérios problemas em escrever qualquer frase que seja coerente, semântica e literalmente com a Língua Portuguesa. Considerada demasiado viajante para regras tão estáticas e imóveis e demasiado mutante para escrever textos imutáveis.Sou complexamente simples, e simplesmente complexa.Paradoxal e visceral.Minha mente é tão intrincada quanto o maior dos mistérios, e tão simples quanto a menor das palavras, sem alternativas para o impasse do tempo que exige estática, que exige definição.Porque o tempo não se define, não começa nem termina.Ele passa, e passando transforma... recaindo em si mesmo ou em nada.Em um nada, mas que diz tudo.



Sintaxe a vontade O Teatro Mágico
Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro magico.

A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.

Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Perspectiva

Vida. O que carrega, pois, esta palavra, tão indefinível e tão distante, mas ao mesmo tempo, tão próxima, tão real, tão VIVA? O que é viver? Reunir uma inconstância de sentimentos, momentos e divagações que pouco fazem sentido?

É engraçado que só venhamos a pensar na importância da vida, geralmente, quando ela nos “prega uma peça”. Sinto-me, agora, como se ela fosse aquela figura de capuz preto carregando um machado, prontinha, prontinha para tirar, lentamente, a minha vontade dela mesma. E morte e vida se confundem, a partir do momento em que meu corpo e, sobretudo, coração, já não mais reconhece o que os difere. É como se apenas existisse, nesse momento, vida na morte e morte na vida.

Pode parecer dramático demais, meio baynorismo demais para o séc XXI, mas não se pararmos pra pensar que tudo o que se passa nesse mundo, o qual - ignoro até que ponto - chamamos de real, só existe em oposição a algo. O que seria da tristeza, sem a alegria? Do ódio, sem o amor? Da fome, sem a fartura? Da surpresa, sem a frustração, por exemplo? Nada. Absolutamente, nada. E o oposto, também se faz verdadeiro. É tudo questão de perspectiva e nada além disso.

O conceito de perspectiva é originário, como se sabe, da pintura, a qual pressupõe a exposição do ângulo de visão do artista. Ela torna-se, assim, a arte de representar objetos sobre determinado plano, tais como eles apresentam-se à vista. Já na literatura, ela assume um papel ainda maior, deixando de ser apenas o lugar de onde se vê, para representar, também, a maneira como se vê. Partindo deste conceito, é através dela que interpretamos qualquer existência, da mesma forma como um narrador interpreta sua história antes de conta-la. Nós interpretamos a vida, antes mesmo de conhecê-la, antes de sabermos defini-la.

Assim, a verdade torna-se amplamente relativa, tal como a vida e a forma de encará-la. Se encararmos, como foi dito acima, que sentimentos só existem em contraposição a outro, talvez paremos de enxergar a tristeza, o ódio, a raiva, a angústia e, até mesmo, a morte, como coisas ruins. São apenas estados de espírito, passageiros, mas que são capazes de nos fazer, de fato, dar valor aquilo que realmente nos faz bem, como viver.

“É preciso afastar-se para uma quietude qualquer, e talvez os mortos sejam esses que se retiram para refletir sobre a vida”, (Rilke, Rainer Maria. A canção da justiça)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

À Clarice

Prefiro a palavra solta, não aprisiono meu mundo.
Exalto a entrelinha, é sempre o endereço incerto para encontrar o eu-mutante.

Sem talento


Despi-me de ações
Fico nua de ideias
Desfaço-me de antigas palavras

É um poema que surge?
É o tempo que urge?
Eu clamo por existência
Clamo por suor, sinapse e sangue

Sinto por viver
E vivo porque sinto
Nesse infinito de vida
fico com o finito momento
Se se trata de morrer
prefiro ficar sem esse talento

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Morte aos vermes!

É estranho como procurei na escrita me refinar a ponto de me perder em mim, mas já havia me embrenhado tanto que acabei me perdendo do mundo. Alimentei meus medos, refinei minhas paixões, penetrei em cada lágrima e sem respirar fui a terra e promovi mazelas., vísceras e sangue. Virei verme, parasita de mim. Me comi por dentro, defequei em mim e achei que, ao degustar e regurgitar o vômito, aprendia mais sobre tudo. Sobre esperança, sobre morte, sobre Deus, sobre amor.
Esqueci que para aprender é necessária abertura, é necessária entrega, é necessário o risco e o incerto. É necessário sim, ser. Mas ser com o outro. Nada de tênias solitárias e seus proglotes egoístas, Sou um raro exemplar do animal político de Aristóteles. E como tal, interajo com o meio e a sociedade. Saí do escuro dos orifícios e voltei a tona pela pele, pelo toque, pelos lábios, pela batida externa de um coração. Reaprendi as coisas simples: o azul do céu, o verde da grama, o sorriso, o abraço cúmplice, o feijão, a fruta, a melodia, o ritmo. Saí da arrogância de dizer-me mais madura pra ser exatamente mais criança. Porque é sentindo como criança que potencializamos a dúvida. E como dúvida, somos inquietantes, incontroláveis e indomáveis.Nenhum antibiótico no mundo acabaria com a minha alegria de conhecer e deixar-se conhecer.
Mais humana menos parasita, proclamo: Morte aos vermes! Morte a arrogânica, morte a prolexidade, morte as lombrigas da solidão doentia. Do amor homeopático e compulsório!
Viva a proletária simplicidade!
Simplicidade de alcançar as palavras apenas as sentindo...