Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tente entender


“O preço que se paga às vezes é alto demais”. Você acredita. Você acha que as pessoas merecem a sua confiança, porque simplesmente não consegue enxergar o que o coração não sente. Porque para você, os laços são formados por respeito, abnegação e lealdade. Não. Você sabe que não deve ser tão ingênuo, mas... De repente tudo se mostra a seus olhos e mais uma vez você tem que recomeçar. Como as árvores, que perdem as suas folhas para suportar o inverno, mas na primavera renascem deixando as folhas que caíram no passado e buscando a vida com a chegada do Sol.
“Deixa o Sol bater na cara, esqueço tudo o que me faz mal”. Porque desistir não é a melhor opção. Aqueles que um dia te decepcionaram não se importam com o que fizeram, não estão preocupados com quem magoaram, seria qualquer um que estivesse à sua frente. Por isso devemos conservar a mesma indiferença, mas sem rancor, para estar em paz e aberto àqueles de coração puro. “Eu sei, não é sempre que a gente encontra alguém que faça bem, que nos leve desse temporal”.
Nesse mundo de “riquezas aparentes e misérias reais” (frase do grande mestre Mario Sergio Cortella), você está dando valor ao que é efêmero e transitoriamente concreto? Apenas com a ordenação do pensamento é que podemos fazer com que a nossa existência não seja ignorada, que o nosso mundo seja um bom lugar para essa passagem e capaz de acolher aqueles que merecem, aqueles que só o tempo dirá serem dignos.
“Tente entender a minha alegria, a sombra mostrou o que a luz escondia”.  Porque precisamos daqueles que nos fazem cair. Porque a vida é um aprendizado contínuo, mais paciência e menos egoísmo. Desapego. Assim podemos descobrir que “o amor é maior que tudo, do que todos...”.




* As citações foram retiradas das músicas de Engenheiros do Hawaii e Pouca Vogal. Exceto a que foi retirada do livro " Não espere pelo epitáfio..." de Mario Sergio Cortella, como indicado no texto.

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