Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Morte aos vermes!

É estranho como procurei na escrita me refinar a ponto de me perder em mim, mas já havia me embrenhado tanto que acabei me perdendo do mundo. Alimentei meus medos, refinei minhas paixões, penetrei em cada lágrima e sem respirar fui a terra e promovi mazelas., vísceras e sangue. Virei verme, parasita de mim. Me comi por dentro, defequei em mim e achei que, ao degustar e regurgitar o vômito, aprendia mais sobre tudo. Sobre esperança, sobre morte, sobre Deus, sobre amor.
Esqueci que para aprender é necessária abertura, é necessária entrega, é necessário o risco e o incerto. É necessário sim, ser. Mas ser com o outro. Nada de tênias solitárias e seus proglotes egoístas, Sou um raro exemplar do animal político de Aristóteles. E como tal, interajo com o meio e a sociedade. Saí do escuro dos orifícios e voltei a tona pela pele, pelo toque, pelos lábios, pela batida externa de um coração. Reaprendi as coisas simples: o azul do céu, o verde da grama, o sorriso, o abraço cúmplice, o feijão, a fruta, a melodia, o ritmo. Saí da arrogância de dizer-me mais madura pra ser exatamente mais criança. Porque é sentindo como criança que potencializamos a dúvida. E como dúvida, somos inquietantes, incontroláveis e indomáveis.Nenhum antibiótico no mundo acabaria com a minha alegria de conhecer e deixar-se conhecer.
Mais humana menos parasita, proclamo: Morte aos vermes! Morte a arrogânica, morte a prolexidade, morte as lombrigas da solidão doentia. Do amor homeopático e compulsório!
Viva a proletária simplicidade!
Simplicidade de alcançar as palavras apenas as sentindo...










terça-feira, 10 de maio de 2011

E isso é tudo

Inquietação. Talvez seja essa a palavra que melhor expresse o que eu gostaria de poder explicar. É muito difícil colocar no papel e entender que o que escrevi reflete o que sou, o que sinto e acredito. Muitas vezes tento esconder meus princípios e crenças, não por vergonha, mas por insegurança e falta de confiança. No entanto, há algum tempo, percebi que na tentativa de esconder, acabo por revelar inconscientemente meu caráter. Comecei a “descobrir” que não posso me separar da minha personalidade independentemente dos que me cercam, mas há situações em que ela se sente mais à vontade para lembrar que pertence a mim.
Cabe aqui uma metáfora, retirada do livro “Tristes Trópicos”, proferida por uma senhora que se comparava a um peixe podre envolto por um bloco de gelo – “intacta na aparência, mas ameaçada de se desagregar mal o invólucro protetor derretesse”.
 É possivelmente essa inconsistência a causa da minha inquietação. Eu não fico satisfeita em saber um pouco, não para ser melhor, mas porque sei que não é suficiente, por pura curiosidade e por valorizar o conhecimento, sendo ele utilitarista ou não.  Isso me tira o sono...  Assim como ver os problemas e ser incapaz de resolvê-los. Assim como ter noção do certo e do errado e escolher o pior caminho. Assim como saber que há uma forma de mudar, mas muitos não o fazem porque já perderam a fé em si mesmos e pouco importa o resto. Se o peixe já apodreceu, de que vale o gelo? Se você não faz nada para ajudar, por que criticar? Se você não contribui de alguma forma, de que serve o conhecimento?

Você vai perceber leitor que a minha maior dificuldade está em transcender meu pensamento em algo legível. Meus amigos são bem melhores nisso... Vale ressaltar que essa diferença não tem relação com a complexidade da maneira de pensar de cada um, é apenas uma característica que preferi compartilhar e que também é inquietante. 
Então, não me surpreendo se você resolver pular a minha postagem. Eu vou tentar melhorar, buscar novas ideias e aprendizados, pensar de maneira menos paradoxal e mais determinada, mas acho que não posso ir contra quem sou. Nunca saberei todas as respostas, todas as formas de me expressar, todos os caminhos a percorrer ou todas as palavras a serem escritas.

Sou só eu e essa tal de inquietação. É tudo o que eu sei.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Enfim, minha breve apresentação

Como não desejo apenas repetir tudo que meus colegas já escreveram neste blog, deixo uma breve citação minha, que resume um pouco o que quero dizer:
“Não sou o que sou, sou o que fui e o que desejo ser. A cada instante a definição do eu se modifica.”

Não me considero qualificado o suficiente para escrever incríveis textos como meus colegas, mas fui convidado e sinto-me honrado para tanto. Meus pensamentos e sentimentos são melhores expressados por meio de poemas, que, por ter certo receio de que se tornem versos comuns, soltos, sem seu significado original ou seu autor, escolherei com cuidado para postar. Logo de primeiro encontro, o leitor notará que rimas são raras, se não ausentes, em meus poemas. Isso pode ser explicado através da história da Literatura, que prefiro não descrever por falta de conhecimento na área (deixo essa decisão aos outros colaboradores) ou posso explicar eu mesmo, futuramente.

“Pergunto à imensidão do universo
Por quê?
Por que os que se esforçam
Os que continuam lutando mesmo depois de não ter mais forças
Acabam caindo, derrubados
Enquanto eu, de espírito fraco
Procrastinador recalcitrante
Recebo a glória desmerecida?
Será uma questão mais complexa
Que meros olhos humanos não podem enxergar
Que a insignificante mente humana é incapaz de compreender?
Serão um dia recompensados?
Cairei um dia, enfim?
Ou são essas consequências
De um tempo passado
Esquecido por cada um de nós?”
(LordSatoh)

P.S.: Deixarei meu nome assim, pelo menos por enquanto

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Michê de mim

Tentada a falar
Tentada a escrever
Tentada talvez a amar
Tentada a ser mim

Sigo michê
Sigo clichê
Falo de amor
Como se vendesse meu corpo
A você
A mim

segunda-feira, 28 de março de 2011

Devaneio noturno

O ano de vestibular chegou. A escola, que para alguns era apenas lugar de encontrar os amigos, agora é ferramenta para o ingresso na universidade. Um pensamento comum e que todo ano se repete. Entretanto, depois de concluído o melhor ano na escola. O peso da saudade e, até mesmo, o arrependimento fazem parte dos novos universitários, que se angustiam em estudos, novas pessoas e esquecem que vivem.

O primeiro dia de aula na Universidade pode parecer com o primeiro dia da escola, todavia a maturidade e as responsabilidades são distintas. Quando crianças, a vida nada mais é que uma gincana, que dura o dia inteiro, e o descanso na parte da noite. Não se fica inseguro em não conhecer ninguém, como na adolescência. Na realidade, o interessante era conhecer novos participantes nos jogos, uma ingenuidade que de um dia para outro se esvai como num passe de mágica.

A partir desse dia, a vida começa a ter um viés diferenciado. As pessoas não são interessantes apenas para rir, mas para se aglomerar em uma rede de contatos, que, possivelmente, serão necessários no futuro. Não que isso seja ruim, entretanto a busca, unicamente, por interesses, acaba por dizimar a personalidade. Além de cercear as pessoas, com pensamentos incompletos e, muitas vezes, deturpados.

Nesse cerceamento, cada vez mais latente, a busca pelo excessivo correto, outra corrente de grupo antagônico ao supracitado também se manifesta. Infelizmente, o radicalismo desmedido cria laços emotivos, familiares e relacionais tão dependentes, quase sufocantes, dos participantes. Não existe o coletivo, sem o individual. Esta é a frase que deve servir de guia.

Basta conhecer pessoas no primeiro dia da universidade para sentir esta confusão de interesses. Assim, uns conversam, puramente, pelo networking, sem se importar com o espaço do outro – como outros, dizem morrer de amores e afinidades, também interferindo no espaço e na mente do interlocutor.

Leitor, ninguém disse que a vida seria fácil. Acredito na dificuldade. Tenho fé que ela faz o papel de medidor de tudo que queremos, desejamos, possuímos e desistimos. O ano do vestibular, não pode ser encarado com desdém, muito menos, excessivamente, dedicado. Da mesma forma que os anos da faculdade não podem ser guiados de forma imatura. O universo da universidade é o melhor ponto de reflexão de atitudes e ponto de convergência para não encontrar apenas respostas, mas cria-las. O certo e o errado são concomitantes, sinônimos e não necessariamente são as únicas vias. Não pense em ser o melhor, mas o melhor para você e com você.

Ah, preposições! As preposições fazem todo o diferencial na vida. Elas são as pontes e, assim, como na vida, devemos passar por ciclos sobre pontes. Metaforicamente, use suas pontes. Seja você! Não pense em si próprio a todo instante, nem no outro, insistentemente. Pense na sua parte dentro do todo. Pense no nós!


 E assim, a madrugada passa, os devaneios surgem e desaparecem, e a insônia dá lugar ao sono, satisfeito.





sábado, 26 de março de 2011

Organização caótica

Lírico, épico e dramático. Estes três gêneros foram apresentados a mim como os "Três fundamentais", o que significa, por vez, que estão sempre presentes, seja juntos ou separados, em qualquer obra literária. Não pude deixar de questionar tal afirmação. Em qual dos três encaixar-se-ia, pois, a escrita dadaísta? Ou os poemas surrealistas? E os cubistas?
Obviamente, não podemos enquadrá-los no gênero épico- é só compará-los a Homero; o leitor há de convir, também, que pouco possuem eles de dramaticidade- Shakeaspeare com certeza concordaria; outrossim, estão longe de representar o sentimentalismo do gênero lírico- semelhança alguma aos escritos de Fernando Pessoa. Poder-se-ia procurar uma segunda alternativa: e se fossem eles a união dos três? Definitivemente nada têm eles de comum com as baladas de Manuel Bandeira. O que seriam então?
Alguns radicalistas diriam que tais vertentes não podem ser chamadas de literatura, justamente por essa dificuldade aparente de classificá-las. Mas isto seria um tanto injusto com os vanguardistas Hugo Ball, ou Antonio Maria, ou Guillaume Apollinaire, por exemplo. Certamente, cada um destes se reviraria em seu túmulo ao ouvir tal barbárie. Afinal, é muito mais fácil excluir algo de um sistema do que tentar criar uma forma de englobá-lo nele.
Hoje, serei um pouco audaciosa e tentarei formular um espaço alternativo para estes escritos dentro da literatura. Se não podemos fugir dos "gêneros fundamentais", vamos tentar mudar a forma de encará-los. E se, ao invés de uma união harmônica entre os gêneros, o dadaísmo- aqui, apenas como representante dos demais já citados- fosse o choque do épico com o dramático, ou do lírico com o épico, ou dos três ao mesmo tempo? É como se, ao uni-los dessa maneira, fôssemos capazes de introduzí-los na literatura e organizá-los dentro do caos que representam. Eles seriam, pois, nada mais que a representação caótica do padrão de gêneros literários. E isso não significa que, apenas por serem diferentes e, muitas vezes, incompreendidos, devem ser julgados como arte baixa, como poderia classificar Aristóteles. São apenas a expressão real de sentimentos cansados do tradicionalismo, impositor de regras e normas que nem sempre são convenientes.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Metamorfose Pura

Realidade. Talvez seja essa a palavra que mais amedontra os poetas. Se para eles é na insônia que encontram inspiração, para mim, realista por natureza, é durante o despertar do dia que produções imperfeitas passam ao papel. Entre os desvaneios matinais, entram em conflito sonhos da noite anterior e fatos do dia que virá- na mente, um turbilhão de coisas sem sentido.
Crio coragem. Levanto. Exatamente no momento em que meus pés tocam o chão frio, sou atingida por um balde de realismo: meu lirismo permanece na cama. Entretanto, minhas palavras denunciam-me: sou incapaz de escrever longe da sombra do romantismo. Percebo, pois, que não sei ser só realista, como não sei ser apenas poeta.
Então, o que seria eu? Poderia ser um pouco de cada, meio a meio, talvez mais um do que o outro. Mas não! Sou inteiramente ambos. Com a mesma força, com a mesma intensidade, com o mesmo ardor. Jamais negarei o meu realismo. Jamais negarei meu caráter poético. Simplesmente, encarregarei o leitor de definir-me de acordo com o assunto de que trato, da maneira como trato.
Hoje, sou mais romântica que realista, ao contrário do que disse ao início deste rascunho. E se o leitor vê contradição neste fato, acostume-se com ela. Não hesitarei em mudar de opinião no decorrer de minhas postagens. Escreverei de acordo com aquilo que acredito no momento em que tomar o papel e caneta em mãos. Isto, todavia, não faz de minhas palavras mais verdadeiras, muito menos mentirosas. São apenas palavras, jogadas aqui para que aquele que lê julgue-as como desejar.
Por fim, retomo a ideia de meu colega, Anil agripnico: sou a metamorfose pura, em seu integral significado; um alguém diferente a cada composição. E para os incapazes de compreender-me, recomendo os demais colaboradores desta página- provavelmente, melhores que eu e mais compreensíveis.

"Agora, meus amigos, é preciso nos consolarmos com isto: que a minha realidade não é mais verdadeira que a sua, e que tanto a minha quanto a sua duram só um momento”. PIRANDELLO, Luigi. 'Um, nennhum e cem mil'.