Sentir insônia poética é tentar dormir e acordar nas rimas. É no silêncio da madrugada que os barulhos no pensamento acordam os poemas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sintaxe à Vontade

Em co-autoria com o gauche, Pedro Alvim

Parágrafo único onipotente, onipresente e impassível de alteração: Tenho sérios problemas em escrever qualquer frase que seja coerente, semântica e literalmente com a Língua Portuguesa. Considerada demasiado viajante para regras tão estáticas e imóveis e demasiado mutante para escrever textos imutáveis.Sou complexamente simples, e simplesmente complexa.Paradoxal e visceral.Minha mente é tão intrincada quanto o maior dos mistérios, e tão simples quanto a menor das palavras, sem alternativas para o impasse do tempo que exige estática, que exige definição.Porque o tempo não se define, não começa nem termina.Ele passa, e passando transforma... recaindo em si mesmo ou em nada.Em um nada, mas que diz tudo.



Sintaxe a vontade O Teatro Mágico
Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro magico.

A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.

Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Perspectiva

Vida. O que carrega, pois, esta palavra, tão indefinível e tão distante, mas ao mesmo tempo, tão próxima, tão real, tão VIVA? O que é viver? Reunir uma inconstância de sentimentos, momentos e divagações que pouco fazem sentido?

É engraçado que só venhamos a pensar na importância da vida, geralmente, quando ela nos “prega uma peça”. Sinto-me, agora, como se ela fosse aquela figura de capuz preto carregando um machado, prontinha, prontinha para tirar, lentamente, a minha vontade dela mesma. E morte e vida se confundem, a partir do momento em que meu corpo e, sobretudo, coração, já não mais reconhece o que os difere. É como se apenas existisse, nesse momento, vida na morte e morte na vida.

Pode parecer dramático demais, meio baynorismo demais para o séc XXI, mas não se pararmos pra pensar que tudo o que se passa nesse mundo, o qual - ignoro até que ponto - chamamos de real, só existe em oposição a algo. O que seria da tristeza, sem a alegria? Do ódio, sem o amor? Da fome, sem a fartura? Da surpresa, sem a frustração, por exemplo? Nada. Absolutamente, nada. E o oposto, também se faz verdadeiro. É tudo questão de perspectiva e nada além disso.

O conceito de perspectiva é originário, como se sabe, da pintura, a qual pressupõe a exposição do ângulo de visão do artista. Ela torna-se, assim, a arte de representar objetos sobre determinado plano, tais como eles apresentam-se à vista. Já na literatura, ela assume um papel ainda maior, deixando de ser apenas o lugar de onde se vê, para representar, também, a maneira como se vê. Partindo deste conceito, é através dela que interpretamos qualquer existência, da mesma forma como um narrador interpreta sua história antes de conta-la. Nós interpretamos a vida, antes mesmo de conhecê-la, antes de sabermos defini-la.

Assim, a verdade torna-se amplamente relativa, tal como a vida e a forma de encará-la. Se encararmos, como foi dito acima, que sentimentos só existem em contraposição a outro, talvez paremos de enxergar a tristeza, o ódio, a raiva, a angústia e, até mesmo, a morte, como coisas ruins. São apenas estados de espírito, passageiros, mas que são capazes de nos fazer, de fato, dar valor aquilo que realmente nos faz bem, como viver.

“É preciso afastar-se para uma quietude qualquer, e talvez os mortos sejam esses que se retiram para refletir sobre a vida”, (Rilke, Rainer Maria. A canção da justiça)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

À Clarice

Prefiro a palavra solta, não aprisiono meu mundo.
Exalto a entrelinha, é sempre o endereço incerto para encontrar o eu-mutante.

Sem talento


Despi-me de ações
Fico nua de ideias
Desfaço-me de antigas palavras

É um poema que surge?
É o tempo que urge?
Eu clamo por existência
Clamo por suor, sinapse e sangue

Sinto por viver
E vivo porque sinto
Nesse infinito de vida
fico com o finito momento
Se se trata de morrer
prefiro ficar sem esse talento

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Morte aos vermes!

É estranho como procurei na escrita me refinar a ponto de me perder em mim, mas já havia me embrenhado tanto que acabei me perdendo do mundo. Alimentei meus medos, refinei minhas paixões, penetrei em cada lágrima e sem respirar fui a terra e promovi mazelas., vísceras e sangue. Virei verme, parasita de mim. Me comi por dentro, defequei em mim e achei que, ao degustar e regurgitar o vômito, aprendia mais sobre tudo. Sobre esperança, sobre morte, sobre Deus, sobre amor.
Esqueci que para aprender é necessária abertura, é necessária entrega, é necessário o risco e o incerto. É necessário sim, ser. Mas ser com o outro. Nada de tênias solitárias e seus proglotes egoístas, Sou um raro exemplar do animal político de Aristóteles. E como tal, interajo com o meio e a sociedade. Saí do escuro dos orifícios e voltei a tona pela pele, pelo toque, pelos lábios, pela batida externa de um coração. Reaprendi as coisas simples: o azul do céu, o verde da grama, o sorriso, o abraço cúmplice, o feijão, a fruta, a melodia, o ritmo. Saí da arrogância de dizer-me mais madura pra ser exatamente mais criança. Porque é sentindo como criança que potencializamos a dúvida. E como dúvida, somos inquietantes, incontroláveis e indomáveis.Nenhum antibiótico no mundo acabaria com a minha alegria de conhecer e deixar-se conhecer.
Mais humana menos parasita, proclamo: Morte aos vermes! Morte a arrogânica, morte a prolexidade, morte as lombrigas da solidão doentia. Do amor homeopático e compulsório!
Viva a proletária simplicidade!
Simplicidade de alcançar as palavras apenas as sentindo...










terça-feira, 10 de maio de 2011

E isso é tudo

Inquietação. Talvez seja essa a palavra que melhor expresse o que eu gostaria de poder explicar. É muito difícil colocar no papel e entender que o que escrevi reflete o que sou, o que sinto e acredito. Muitas vezes tento esconder meus princípios e crenças, não por vergonha, mas por insegurança e falta de confiança. No entanto, há algum tempo, percebi que na tentativa de esconder, acabo por revelar inconscientemente meu caráter. Comecei a “descobrir” que não posso me separar da minha personalidade independentemente dos que me cercam, mas há situações em que ela se sente mais à vontade para lembrar que pertence a mim.
Cabe aqui uma metáfora, retirada do livro “Tristes Trópicos”, proferida por uma senhora que se comparava a um peixe podre envolto por um bloco de gelo – “intacta na aparência, mas ameaçada de se desagregar mal o invólucro protetor derretesse”.
 É possivelmente essa inconsistência a causa da minha inquietação. Eu não fico satisfeita em saber um pouco, não para ser melhor, mas porque sei que não é suficiente, por pura curiosidade e por valorizar o conhecimento, sendo ele utilitarista ou não.  Isso me tira o sono...  Assim como ver os problemas e ser incapaz de resolvê-los. Assim como ter noção do certo e do errado e escolher o pior caminho. Assim como saber que há uma forma de mudar, mas muitos não o fazem porque já perderam a fé em si mesmos e pouco importa o resto. Se o peixe já apodreceu, de que vale o gelo? Se você não faz nada para ajudar, por que criticar? Se você não contribui de alguma forma, de que serve o conhecimento?

Você vai perceber leitor que a minha maior dificuldade está em transcender meu pensamento em algo legível. Meus amigos são bem melhores nisso... Vale ressaltar que essa diferença não tem relação com a complexidade da maneira de pensar de cada um, é apenas uma característica que preferi compartilhar e que também é inquietante. 
Então, não me surpreendo se você resolver pular a minha postagem. Eu vou tentar melhorar, buscar novas ideias e aprendizados, pensar de maneira menos paradoxal e mais determinada, mas acho que não posso ir contra quem sou. Nunca saberei todas as respostas, todas as formas de me expressar, todos os caminhos a percorrer ou todas as palavras a serem escritas.

Sou só eu e essa tal de inquietação. É tudo o que eu sei.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Enfim, minha breve apresentação

Como não desejo apenas repetir tudo que meus colegas já escreveram neste blog, deixo uma breve citação minha, que resume um pouco o que quero dizer:
“Não sou o que sou, sou o que fui e o que desejo ser. A cada instante a definição do eu se modifica.”

Não me considero qualificado o suficiente para escrever incríveis textos como meus colegas, mas fui convidado e sinto-me honrado para tanto. Meus pensamentos e sentimentos são melhores expressados por meio de poemas, que, por ter certo receio de que se tornem versos comuns, soltos, sem seu significado original ou seu autor, escolherei com cuidado para postar. Logo de primeiro encontro, o leitor notará que rimas são raras, se não ausentes, em meus poemas. Isso pode ser explicado através da história da Literatura, que prefiro não descrever por falta de conhecimento na área (deixo essa decisão aos outros colaboradores) ou posso explicar eu mesmo, futuramente.

“Pergunto à imensidão do universo
Por quê?
Por que os que se esforçam
Os que continuam lutando mesmo depois de não ter mais forças
Acabam caindo, derrubados
Enquanto eu, de espírito fraco
Procrastinador recalcitrante
Recebo a glória desmerecida?
Será uma questão mais complexa
Que meros olhos humanos não podem enxergar
Que a insignificante mente humana é incapaz de compreender?
Serão um dia recompensados?
Cairei um dia, enfim?
Ou são essas consequências
De um tempo passado
Esquecido por cada um de nós?”
(LordSatoh)

P.S.: Deixarei meu nome assim, pelo menos por enquanto